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Destaques

O Jazz suave e terno

  Há um Jazz, Suave e terno, Fazendo as honras. Encantando a alma E preenchendo a sala Silenciosa. Há um encanto Em estar num canto Que a gente Gosta de ficar Acompanhado apenas De nosso silêncio E de uma canção, Que alegra o espírito E faz transbordar  O coração, Enquanto organiza-se  Os pensamentos, Que quase sempre Embaralhados Se encontram. Embalado pela canção, Penso que Viver, Talvez,  Não seja se limitar a busca Incansável da  Inalcançável dádiva  Da vida perfeita Ou então, De um ser sem máculas.  Mas ter o intento Em consolar-se Com o andar Mesmo cambaleante, Sem perder o movimento.

Helena e Umberto


 


Era tarde da noite quando, Umberto, resolveu sair da sua casa para ir fazer uma caminhada, para quem sabe, melhorar o ânimo. Acalmar os nervos. Clarear os pensamentos que se encontravam confusos. Sua namorada, ou melhor, ex-namorada, há duas horas teve a iniciativa de romper o namoro com ele. Namoro que já havia feito aniversário de dois anos. No calor do desentendimento, que culminou o fim da relação, Joana proferiu o ultimato: "não gosto mais de você, já faz um tempo. Admiro nossa relação ter se prolongado tanto." 

Sentado, num banco do parque próximo a sua casa, Umberto remói, em sua mente, as últimas palavras proferidas por sua ex, com raiva e dor. Se sente triste e inconformado. Sabe que de acordo com seus sentimentos, a relação não deveria ter acabado. Ainda sente por Joana, o que imagina ser amor, ou seria apego? O fato é que Umberto estava realmente muito confuso e triste.

Depois de um tempo tentando adequar sua mente a sua nova condição de solteiro, resolveu dar uma volta no parque escuro e desértico. Havia se passado das 19h00. Umberto estava se aproximando da extremidade leste do parque, quando ouviu o soluçar de alguém. Por curiosidade ou levado pelo sentimento de solidariedade, percorreu o trajeto de onde imaginou vir o choro. Conforme foi chegando mais próximo do som lastimoso, percebeu que o choro foi tornando mais alto e angustiante. Logo, Umberto se deparou com uma garota sentada à beira do lago, sobre o gramado úmido pelo orvalho que descia do firmamento, onde se via a lua minguante iluminando aquela noite, que a tudo indicava, não estava triste apenas para Umberto. 

Ela estava de cabeça baixa distraída com sua infelicidade e não percebeu a aproximação de Umberto, que nessa altura havia esquecido sua situação desastrosa, dolorosa, passando a se condoer com a situação da garota a sua frente, que chorava copiosamente. Umberto, devagar e cuidadosamente sentou também sobre a grama, de frente a garota. Sem intenção de assustá-la, que poderia piorar mais a situação, Umberto a indagou com a voz medida: "oi. Por que você chora? Posso ajudar em alguma coisa?" Com um sobressalto, Helena, como se chamava a garota, levantou a cabeça assustada, olhou com cara de espanto para Umberto, dizendo, séria: "que susto você me deu. Quer me matar do coração?" Seus olhos estavam vermelhos de tanto choro. Umberto pediu desculpa e contou que estava caminhando pelo parque quando ouviu seu choro. Ficou preocupado e estava ali para ajudar, caso pudesse de alguma forma ser útil. 

Sorrindo de uma forma irônica e nervosa Helena disse: "só se você for capaz de trazer meu namorado de volta!"

"É esse o motivo do seu choro?" Indagou Umberto.

"É, sim! Por que?" Perguntou Helena, um tanto envergonhada. Imaginando que Umberto estava achando aquilo um absurdo. Chorar por conta de um homem.

Umberto, por fim, de forma humorada e brincalhona, tentando aliviar o clima tenso e melancólico que se fazia presente entre eles, propôs a Helena um trato: "se você for capaz de trazer de volta minha namorada, eu farei o possível para trazer de volta o seu." Helena entendendo a situação de Umberto, disse que não acreditava na coincidência de ele também ter perdido a namorada. Umberto afirmou e acrescentou que sendo assim ele estava na mesma situação que ela. Portanto, ele era alguém apropriado à falar do problema que ela estava tendo. Estava vivendo na pele, o mesmo que ela estava vivenciando. Enxugando as lágrimas remanescente, Helena conseguiu esboçar um meio sorriso e então passaram a conversar. Cada qual contou sua situação amorosa e as dificuldades que estavam vivendo em seus antigos relacionamentos. Helena, havia acabado o namoro pela manhã daquele dia. Ainda sentia algo pelo namorado, mas percebia que sua razão não mais desejava continuar a relação apesar do coração ainda insistir em tentar reatar o namoro. Umberto se via na mesma condição. Passaram horas conversando sobre tudo. A boa conversa passou a ser interessante para ambos os recém solteiros de corações partidos. O papo foi um bálsamo consolador para ambos. Fazendo que a melancolia de Umberto e as lágrimas de Helena se convertessem em sorrisos espontâneos. 

Já próximo das 23h00, Helena disse que precisava ir. Umberto, fez questão de acompanhá-la até sua casa. Helena aceitou sem relutar. 

Já defronte a casa de Helena, antes de se despedirem, Helena confidenciou a Umberto que fazia um bom tempo que não se divertia e se alegrava com alguém como havia se alegrado naquela noite com ele, apesar das circunstâncias. Umberto, sorrindo deliciosamente, contou que também havia se alegrado muito na presença dela. 

Por fim, Umberto pediu seu telefone. Helena, com um sorriso largo, falou: "só se você me prometer esquecer a ideia daquele trato descabido e me levar amanhã para jantar!" Umberto, revelando alegria de quem havia acertado na loteria, sentenciou: "passo amanhã às 20h00 te pegar, sem falta!"



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