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Destaques

O Jazz suave e terno

  Há um Jazz, Suave e terno, Fazendo as honras. Encantando a alma E preenchendo a sala Silenciosa. Há um encanto Em estar num canto Que a gente Gosta de ficar Acompanhado apenas De nosso silêncio E de uma canção, Que alegra o espírito E faz transbordar  O coração, Enquanto organiza-se  Os pensamentos, Que quase sempre Embaralhados Se encontram. Embalado pela canção, Penso que Viver, Talvez,  Não seja se limitar a busca Incansável da  Inalcançável dádiva  Da vida perfeita Ou então, De um ser sem máculas.  Mas ter o intento Em consolar-se Com o andar Mesmo cambaleante, Sem perder o movimento.

Sherlock Holmes e os segredos do casal apaixonado

 


Sherlock Holmes, passou a vida toda apaixonado por alquimia. Um alquimista ferrenho e aplicado. Após muito trabalho, descobriu o elixir da vida eterna, assim, tendo em suas mãos a fórmula para adquirir a imortalidade. Como foi muito trabalhoso, dividiu o resultado incrível de sua descoberta apenas com seu amigo inseparável, Watson. Agora, ambos imortais. Graças a esse feito invejável, hoje, pleno século XXI, podemos ainda solicitar seus serviços impecáveis.

Sherlock Holmes, junto de Dr. John Watson foram contratados para desvendar um caso, ou melhor, dois, na cidade de Fazenda Rio Grande. “Cidade de território pequeno. Onde tudo o que acontece, geralmente todos ficam sabendo em pouco tempo. Uma cidade recém emancipada. Uma cidade jovem, porém promissora. Uma cidade em desenvolvimento e crescimento. Uma cidade que ao poucos está evoluindo. Uma cidade pacífica. Com moradores altruístas e batalhadores. Uma cidade perfeita para viver com a família e fazer amizades. Uma cidade amistosa”. Assim relatava Watson para Holmes, a bordo do navio Sheston, lendo numa carta, a qual Holmes havia recebido de um amigo de Curitiba, que conhecera em Londres há um tempo, informações sobre a cidade destino de seus futuros trabalhos. Holmes, dizia não acostumar com aviões, preferindo realizar suas viagens, a serviço intercontinental, sempre que possível, a moda antiga: de navio. Costumava dizer que os navios eram mais seguros que os aviões. Estavam o Atlântico a atravessar com destino ao porto de Paranaguá. Em seguida, tomariam uma condução que os levariam a Fazenda Rio Grande. Holmes, estava contente com os relatos da pequena cidade e curioso em conhece-lá pessoalmente. “Cidades pequenas moram pessoas incríveis, Watson”. Diz Sherlock, com seu cachimbo no canto da boca. Watson concorda e emenda que o bom de cidade pequena é o trânsito que é quase inexistente e a culinária local, que geralmente reserva boas surpresas.

Sherlock estava animado, por vir a conhecer mais uma parte do globo mas, um pouco intrigado com os trabalhos que fora contratado. Achou muita coincidência os dois trabalhos virem da mesma cidade e serem solicitados em datas próximas. Foram dois dias de diferença, a chegada das cartas requisitando os trabalhos de Holmes. Holmes, assim como o caso do navio, fazia a moda antiga seus contatos profissionais. Não usava e-mail ou o que valha nos dias de hoje, através da Internet, para se comunicar com o mundo externo. Ainda fazia através de correspondências. Cartas. “Um pouco intrigante, não acha meu caro Watson? O bom é que nós renderá uma boa grana. Poderemos reformar o apartamento e ainda nos sobra um dinheiro para as apostas. Tempos difíceis, Watson!”

Desembarcaram no porto de Paranaguá faltando alguns minutos para o meio dia. A barriga de Holmes estava delatando sua fome, fazendo barulhos nada modestos e a de Watson, era a imitação de uma fanfarra bem animada. O chofer estava a espera dos dois amigos. O motorista havia sido contratado pela mesma agência de turismo que lhes havia arrumado as acomodações no navio cargueiro de Londres a Paranaguá. A hospedagem, comida, faziam parte de um mesmo pacote de viagem, o trasporte era outro caso, foi clandestino, mais não tiveram problema, pois o capitão do navio, havia solicitado os serviços de Holmes há tempo e não havia pago, porém agora, a dívida estava sendo quitada. Dali partiram para Morretes, comer o famoso barreado e beber algumas taças de vinho colonial. “Vamos Watson, alie sua fome com sua vontade de comer e não se preocupe se passarmos mal. Vi que o veículo que veio nos buscar é espaçoso para dormirmos um bom sono caso fiquemos indigestos.” Comeram por quatro pessoas. Ficaram bem saciados.

Partiram rumo a cidade de destino, pouco mais das duas horas da tarde. Holmes orientou o chofer que gostaria de ir até a alameda Ortega em Fazenda Rio Grande. Endereço da reunião com o primeiro contratante. Chegando, após algumas horas de viagem, a qual Holmes e Watson vieram dormindo de barrigas cheias, se encontraram de fronte a uma linda mansão no estilo vitoriano. “Aqui estamos senhor Holmes, esse é o endereço que solicitou”. Holmes pediu para que o motorista desse uma buzinada, para que alguém pudesse vir recebe-los. Não demorou muito, um rapaz, esbelto, com uma farta cabeleira e da altura de Watson, os comprimento sorridente, se identificando como Abder. Convidou-os para entrar. “Por aqui cavalheiros.” Indicando a biblioteca. Uma biblioteca muito ampla. Com uma coleção de livros de invejar. Sem rodeios, Abder foi logo ao motivo pelo qual havia contratado-os. Abder começou o relato de que havia ficado noivo de uma moça da cidade há pouco tempo. Estavam fazendo oito meses de namoro e estava convencido em casar com a moça. Watson e Holmes quietos em silêncio ouviam. Abder continuou. “Na verdade senhor Holmes são dois problemas. Eu sou músico, violoncelista. O primeiro problema é que o violoncelo que eu estava usando, foi oferecido a mim pela minha noiva, que se chama Jasmim.” Holmes e Watson se entreolharam, ambos mentalmente fazendo a mesma pergunta. “Não é o nome da segunda contratante?” Sem mais, deixaram que Abder continuasse seu relato. “O violoncelo estava na família a gerações. Não ouve nenhum músico na família desde o bisavô de minha noiva. Tinham esperança que algum dia alguém da família viesse usa-lo. Sendo assim, viram em mim, uma oportunidade de voltar a dar voz ao violoncelo empoeirado da família e como mais uma forma de boas-vindas a família no dia do noivado. Fiquei muito feliz e lisonjeado. O segundo problema, é o que minha noiva conta. A aliança que selou nosso noivado, que eu ofereci a ela, é uma joia que foi da minha tataravó, passando como tradição para as mãos das mais novas noivas da família. Quem veio por ultimo a usar a aliança foi minha mãe, que obviamente, passaria adiante. Como minha mãe não teve filha, pensou em minha noiva. Minha mãe estava guardando a aliança e viu em meu matrimônio a oportunidade de aliança seguir abençoando mais um casal, como havia acontecido até então. Enfim! A aliança também desapareceu! Minha noiva relatou que o desaparecimento aconteceu no dia em que estávamos reunidos aqui em casa com mais alguns músicos, realizando a execução de algumas peças de música erudita. Minha noiva, que passou a maior parte do tempo ao meu lado na sala de música, enquanto tocávamos, veio por um momento remover a aliança do dedo para lavar as louças que haviam se acumulado após o jantar. Ela tirou do dedo sem que ninguém vise e colocou dentro do estojo do violoncelo. Enquanto minha noiva e as outras três mulheres, companheiras de meus amigos músicos, foram a cozinha ajudar minha futura esposa, eu e os três amigos músicos, aproveitamos para darmos uma pausa e nos dirigimos para o porão onde mantenho uma sala de jogos. Estando nós ali, demorou pouco mais de dois quartos de uma hora para as mulheres se juntarem a nós. Dali estivemos todos sem ninguém deixar o local. Quando os amigos decidiram irem, cada qual para sua casa, voltamos a sala de música para cada um pegar seu respectivo instrumento. Ali estavam todos os instrumentos, menos o meu. Eu tinha certeza que os rapazes não saíram de perto de mim e o mesmo dizia minha futura esposa em relação às mulheres, nenhum poderia ser considerados suspeitos. Então quem poderia ser senhor Holmes? A situação ficou um pouco complicada para ambas as famílias, como o senhor pode imaginar. Os objetos desaparecidos tem grande valor sentimental como também financeiro.” “Conte me mais jovem Abder.” Incentivou Holmes.Para não piorar a situação e acabe interferindo na relação e futuramente, na pior das hipóteses, o casamento venha ser anulado, solicitei vossa presença junto de seus serviços para encontrar meu violoncelo, assim podendo também, ser recuperado a aliança.” “Intrigante jovem Abder. Mas não se preocupe. Trabalharei no caso e espero logo lhe trazer novidades.” Disse Holmes, despedindo de Abder, que pediu total sigilo sobre a contratação do trabalho. Holmes tranquilizando-o disse. “Fique tranquilo jovem Abder, será nosso segredo.”

Holmes, já dentro do carro, passou o próximo endereço para o chofer. Avenida dos pioneiros. Como ficava próximo um endereço do outro, dentro de alguns minutos estavam de fronte a uma outra mansão, essa por sua vez, era de uma arquitetura moderna. Antes mesmo de Holmes pedir, o chofer foi buzinando. Holmes o olhou com agrado e o agradeceu, elogiando a prontidão do motorista dizendo: “o senhor é um homem de iniciativas, aprecio isso.” Logo ouviu uma voz feminina que pronunciou seus nomes. “Senhor Holmes e Senhor Watson. Bem-vindos a Fazenda Rio Grande. Me chamo Jasmim.”  Mais tarde, os dois amigos saberiam que não havia coincidência, aquela Jasmin na frente deles era de fato a noiva de Abder. “É uma honra te-los conosco. Vamos entrar, por favor, por aqui.” Era uma moça pouco mais baixa que Abder. Morena, de cabelos longos e um olhar transmitindo seriedade e respeito, sendo muito simpática e hospitaleira. Seguiram até uma varanda nos fundos da mansão onde os ofereceu chá e café com bolo, torradas caseiras com doce de abóbora também caseiros. Esqueceram a quantidade que haviam comido horas antes no almoço e passaram a se aterem ao compromisso que os propuseram naquele momento. Comer! Só não comeram mais torradas e bolo de cenoura com cobertura de chocolate por chegar ao fim e não foi fim da fome e sim dos alimentos que dispuseram ali. Jasmim, a anfitriã, um pouco assustada com a apetite dos visitantes, disse que traria mais, Holmes interveio dizendo que não precisava pois estavam satisfeitos. “Não é mesmo Watson?” Watson por sua vez, lambendo os dedos, afirmou que também estava satisfeito. Mentira de ambos. Depois Holmes veio confidenciar a Watson que ele tinha razão, a culinária daquela cidade era esplêndida. “Quanto mais como, mais tenho apetite, Watson! Mau posso esperar pelo jantar!” Enquanto Holmes e Watson relaxavam esparramados nas cadeiras de balanço com seus estômagos cheios fazendo digestão, Jasmim explicava ao dois, qual era o propósito da contratação do trabalho. Estava noiva de um rapaz chamado Abder. Novamente Holmes e Watson se olharam, mas nada disseram, cada qual, obviamente, chegando a mesma conclusão. Ali o caso se mostrou mais complicado. Jasmim os contou que desconfiava de alguns hábitos não muito comuns que Abder supostamente realizava. Holmes indagou Jasmim qual era esse hábito pouco comum. Ela foi direto ao ponto. Disse que desconfiava que estava para se casar com um lobisomem. Holmes e Watson tinham conhecimentos básicos sobre o ser mitológico lobisomem suficiente para estar a par do que se tratava. Os três se entreolharam e um clima de suspense pareceu se instaurar. Holmes se sentiu um pouco desconfortável, por ter comido muito, claro! Pediu para Jasmim contar tudo o que sabia. Contou que toda noite de lua cheia Abder, seu noivo, desaparece e só o encontra ao amanhecer. Nestas noites não o encontra em casa. Quando volta das noites pela manhã, geralmente, está exausto, como quem passou a noite acordado realizando alguma atividade. Olheiras profundas. O interessante é que suas saídas noturnas duram exatamente a semana de lua cheia e sessa. Lhe perguntam qual seu paradeiro, responde em poucas palavras que havia precisado sair da cidade e desconversa. Ela para não brigarem deixa de exigir uma explicação mais plausível. Começou logo quando começaram o namoro e nunca parou, sempre a mesma coisa, dias de lua cheia ele sai não se sabe pra onde e retorna cansado com o olhos no fundo. Por isso havia solicitado os serviços de Holmes. Descobrir o paradeiro de seu futuro noivo. Descobrir se o dito cujo é ou não lobisomem, pois todos da família dela estavam afirmavam a mesma coisa. "Abder era lobisomem!" Holmes disse que entendia. As horas haviam se passado depressa. Mais umas horas seria o jantar. Holmes e Watson se hospedariam num hotel da cidade. Antes de despedir de Jasmim, Holmes com a bexiga quase estourando de cheia, pois tinham tomado quase dois bules de chá ele e Watson, pediu que Jasmim lhe indicasse o banheiro, Jasmim indicou. Deveria pegar a primeira porta a direita, seguir o corredor e na antepenúltima porta seria o banheiro. Holmes não demorou muito. Voltou com a feição renovada, talvez pelo simples fato de ter conseguido evacuar todo o líquido que estava em sua bexiga, ou seria outro motivo? Enfim... Despediram de Jasmim, que também pediu total sigilo da contratação do serviço. Holmes disse que podia ficar tranquila. Esse seria segredo entre eles. Se comprimentaram e em seguida o chofer os levou até o hotel. Fizeram os registros necessários na recepção e foram direto para o restaurante jantar. Por incrível que pareça, ambos estavam novamente com muita fome. Mais tarde, já deitados, ambos no mesmo quarto só que em camas separados, bem confortáveis, Watson diz que estava ansioso pelo amanhecer do novo dia. Holmes, antes do boa noite, diz o mesmo e acrescenta dizendo que gostaria de saber o que seria de café da manhã. No dia seguinte, disseram ter ambos sonhado com comidas. Um sonho estranho, descabido, talvez!?

No dia seguinte: lua cheia, lobisomem, violoncelo desaparecido com aliança, no café da manhã foi pauta. “O que acha Holmes? O que tem a nós dizer sobre os casos?” “Que dia é hoje Watson?” “Dia dezessete Holmes”. “E quando será a próxima semana de lua cheia?” “Daqui a dois dias, Holmes.” “Ok, Watson, vamos aproveitar para passearmos pela cidade e conhece-lá. Vamos esperar passar a semana de lua cheia, pois acredito que não temos mais trabalho na cidade.” “Como assim, Holmes? Já resolveu os casos?” “Acredito que sim. Paciência meu caro Watson. Paciência!”

Aquela semana passou depressa. Holmes e Watson, muito conheceram da cidade. Visitaram varias lojas de roupas e calçados. Holmes queria estar bem apresentável, no dia em que contaria suas descobertas ao casal de noivos. Holmes escolheu um terno preto, e um sapato da mesma cor, camisa branco e gravata vermelha. Watson fez o mesmo, com diferença para a cor do terno. Watson optou por escolher um terno cinza em tom forte, camisa também branca e gravata cinza. Se deliciaram com o melhor dos restaurantes da cidade durante a semana inteira de lua cheia. Comeram de tudo o que dispuseram ao alcance de seus paladares. Estavam radiante por estarem sendo muito bem recebidos por todos. Ganharam o apelido de “Os ingleses”. A fama de Holmes e Watson, de serem os melhores detetives de todos os tempos, sem dúvida é algo a se admirar. Holmes e Watson, caíram na graça do povo Fazendense. Todos queriam ter Holmes e Watson, para o almoço, ou que fosse, para uma xícara de café ou chá, acompanhado de algo para comer, pois igual a fama de bons detetives, também havia se espalhado a fama de serem bons de garfo. Comiam sem preguiça. Homens dedicados quando o assunto era comida. Foram ao cinema local, para apreciar o cinema Brasileiro. Assistiram vários filmes produzidos nacionalmente. Ficaram maravilhados com vários deles. Em Londres, haviam assistido alguns filmes brasileiros, mas poucos. Na semana que se passou puderam assistir quantidade de filmes nacionais suficiente para voltarem para a Inglaterra com uma nova profissão: críticos de cinema brasileiro. Estiveram muito bem durante a semana. Quando perguntavam qual era o motivo da visita a cidade, Holmes e Watson, diziam ser férias. Encontraram com Abder e Jasmim no começo da semana. Obviamente, sem que um soubesse do outro. E tranquilizou-os de que, trabalharia durante aquela semana e no domingo os encontrariam com novidades que lhes agradariam muito. Holmes, para o encontro no domingo a noite, escolheu a churrascaria maior da cidade. Um jantar privado só para eles. O casal jamais sonhavam que se encontrariam. Holmes estava cuidando dos pormenores. Inclusive, o que seria oferecido como alimento e bebida.

Era domingo. Pela manhã, Holmes acordou Watson que roncava e balbuciava palavras ininteligíveis. Holmes pensou ter entendido uma palavra ou outra. Algumas pareciam ser algo relacionado a comida. Então pensou em acordar o amigo, acreditando que o mesmo estaria com fome, por isso estava dizendo palavras relacionadas a alimento. Holmes, não esperou mais, acreditando que o amigo deveria estar tendo um pesadelo, como querer demais uma torta de limão ou um ensopado com muitos legumes e carne de cordeiro. Sem tardar, resolveu acabar com o que imaginou ser o sofrimento do amigo. “Acorda, Watson!” Chacoalhando-o de um lado para o outro. “Acorda! Hoje é o grande dia, Watson!” Com olheiras e com cara de fome, Watson perguntou as horas e se o café da manhã estava sendo servido. Ambos se arrumaram e rumaram ao restaurante do hotel para saborear e aproveitar o que para eles seria o último dia de comilança. Quero dizer! Último dia de investigação.

O dia passou rápido. Logo chegou o momento do encontro a noite. Holmes e Watson, como sempre pontuais, já estavam acomodados na mesa do restaurante. Não demorou muito, logo chegou Abder. “Como vão cavalheiros? Estou ansioso pelas novidades!” Disse Abder, com seu melhor sorriso. “Não perde por esperar, jovem Abder.” Falou Holmes. Abder mal terminara de se acomodar em sua cadeira, Jasmim apontou na porta, lindamente trajando um vestido para festa todo branco. “Uma das novidades chegou, querido Abder.” Abder que estava de costa para a porta, girou o pescoço para ver o que seria a novidade. Abder, fez cara de espantado de início, mas conforme Jasmim se aproximava, também com cara de espanto olhando para Abder, deu lugar a um semblante feliz. Como uma dama que era, Jasmim os comprimento polidamente. Abder ajudou Jasmim a se sentar. Um silêncio se fez entre eles por um tempo. Nesse tempo ficaram a se olharem. Jasmim e Abder permaneceram com feições de espantados sem nada dizerem. Holmes, cortou o silêncio com a pergunta que não queria calar. “Estão com fome senhores e senhorita? Vou mandar servir-nos! Garçom, por favor! A comida!” Passaram a serem servidos com muita carne assada e pratos quentes e frios. Tudo misturado. Assim que Holmes gostava. Comeram e tomaram várias taças de um vinho envelhecido, que segundo o dono do restaurante, era guardado para ocasiões especiais, como aquela. 

Após todos saciados, Holmes começou dizendo: “eu como um bom homem, que tem idade para ser pais de vocês, ou avô, talvez bisavô, enfim! Começo nossa conversa com um conselho para vocês que desejam se casar. Jamais mantenham segredo entre vocês, sejam sempre honestos e verdadeiros um com o outro. Sejam transparente mesmo que o que for vir a tona, no momento cause mau estar. Mas depois, acredito que tudo se resolve quando se trabalha com a verdade. Bom! Eu fui contratado por ambos, para realizar a cada um, trabalho de averiguação”. Abder e Jasmim se olharam um pouco surpresos e sérios. Holmes continuou. “Espero que ao final desse jantar, esteja em comunhão todas as partes. Vou começar com o serviço que prestei ao jovem Abder, que é o cavalheiro e por último o caso da senhorita Jasmim. Como ia dizendo, segredos existem, mas às vezes, atrapalham relações e muito. O Jovem Abder, senhorita Jasmim, me contratou para desvendar o sumiço do violoncelo e sua aliança. Como bem sabemos, no dia do encontro entre amigos na casa de Abder, dia do desaparecimento do instrumento e da jóia, não houve, por parte dos que estavam presentes, a culpa do desaparecimento dos objetos. Sendo assim, fui contratado por parte do jovem Abder para esse fim. Encontrar os objetos roubados. No dia que cheguei, logo após a reunião que tivemos com o jovem Abder, estivemos na casa da senhorita Jasmim, para acertamos os detalhes do trabalho a qual iria investigar”. Mais uma vez, Jasmim e Abder se olharam, sérios. Em silêncio permaneciam. Holmes continuou. “Na ocasião da minha visita a casa da jovem Jasmim, precisei usar o banheiro, momentos antes de nos despedirmos. Conforme a senhorita Jasmim me orientou a direção do banheiro, fui, mas como a mansão é muito grande, e uma falha na minha contagem das portas, adentrei a porta errada, dando num quarto de visitas, e sem esperar dei de cara com o violoncelo desaparecido em cima da cama.” Abder ficou boquiaberto com a revelação, olhando no mesmo instante para Jasmim, que nesse momento estava cabisbaixa, mexendo nas mãos, envergonhada. Abder, parecia que ia dizer algo, mas continuou nada a dizer. Holmes continuou. “Como ia dizendo, avistei o instrumento, como fazia parte do meu trabalho, não perdi tempo e averiguei, e sim, era o instrumento roubado e abrindo o estojo do violoncelo, lá também estava a jóia. Deixei tudo como estava e fui fazer o que deveria fazer. Ou seja o caso dos objetos roubados estava, parcialmente lucidado. Agora, caro Abder, você deve estar se perguntando quais os motivos que levaram sua querida noiva a tal ato. Eu serei franco jovem Abder, sua noiva não tem culpa, digo que a culpa está na consequência de mais um segredo. Querida, senhorita Jasmim, levante sua cabeça, não há motivos para se envergonhar mais. Logo tudo estará resolvido. Eu prometo.” Jasmim forçou um sorriso, e se pôs numa posição mais confortável. “Jovem Abder, fui contatado por sua futura esposa para desvendar suas atividades noturnas nos períodos de lua cheia. Sua noiva e os demais familiares e conhecidos, estavam desconfiando que você, meu caro jovem Abder, era um lobisomem.” Abder não conseguiu se segurar, gargalhou com vontade. Logo ficou sério, quando percebeu que mais ninguém riu. Continuou Holmes. “Senhorita Jasmim, fique tranquila que seu noivo não é lobisomem.” “Como o senhor conseguiu esse resultado?” “Querida Jasmim, no primeiro dia que eu estive na mansão do jovem Abder, na mesa de sua biblioteca, pude ver uma folha de anotações sobre um trabalho de decoração. Me chamou a atenção e não resisti acabei lendo o que estava escrito. Era alguém próximo de Abder, posso deduzir, pois dizia que para ele abriria uma exceção por ser seu amigo de longa data e que os trabalhos deveriam ser todos durante a noite e nas terceiras semanas de cada mês. Sendo assim coecendia com as semanas de lua cheia. Seu futuro esposo acompanha nessas noites o decorador e sua equipe a decorar a futura casa de vocês. E como eu disse precisava dessa semana que passou para ter plena certeza. Semana de lua cheia. Semana que Abder não saiu a noite. Pois seu amigo está viajando. Essa informação eu consegui quando fui ao escritório do amigo de Abder com intuito de conseguir alguma informação. Como Jasmim tinha essa desconfiança ela pediu para seu irmão mais novo entrar na sua casa, jovem Abder e pegar o violoncelo que junto estava a aliança e forjar um desaparecimento. Porque assim, eles teriam o instrumento de volta e ela não se obrigaria a usar a aliança vinda de alguém que poderia ser um lobisomem. Essa informação eu consegui com suas duas tias solteiras da padaria, que aliás, fazem uma torta marta rocha como ninguém. Elas nos disseram depois que falamos que já sabíamos de tudo. Então meus queridos. Casos resolvidos. Garçom! Traga-nos o champanhe, por favor! Vamos casal, reconciliem, está na hora.” Jasmim, com lágrimas, abraçou Abder que a acolheu num abraço demorado e apertado. Ambos se desculparam com a promessa de jamais esconderem algo um do outro.

Dali uma semana foi o casamento de Abder e Jasmim. "O casal mais apaixonado que alguém poderia conhecer." Diz Holmes para Watson, que ficaram mais uma semana na cidade, aproveitando para participar da cerimônia de casamento do casal apaixonado. Aliás, Holmes e Watson não puderam recusar o convite de serem os padrinhos juntos das tias solteiras de Jasmim.

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